Hoje é o Dia do Poeta.
E, neste dia, em que estamos todos comovidos e abalados com tragédias que até há pouco tempo, só 'gente grande' protagonizava, não deveríamos nos perguntar se sabemos do amor o suficiente para ensiná-lo aos nossos filhos?
Sabemos que amar é também perder? Sabemos que amar é também chorar e sofrer? Sabemos que amar é mais não se ter o amor de quem se ama? Sabemos que amar é também entender que não podemos obrigar alguém a nos ter amor? O quanto sabemos? ...
E por falar em amor...
Amar
Carlos Drummond de Andrade
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
...
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Necessário, também, trazer o poema divino de Florbela Espanca (com música de João Gil, na voz de Luis Represas e nas mãos do pianista Manuel Faria), na versão mais linda que conheço:
http://www.youtube.com/watch?v=lUZDx9RCZm4
Ser Poeta
Florbela Espanca
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
E é seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!